sábado, 17 de agosto de 2013

meu coração acelera, mas bate pesado como um relógio-da-sala: meu sono, meu riso, meu choro, minha fome, meus sonhos são inquietos, dispersos, e ao mesmo tempo pungentes, como se um pão crescesse no meio da minha garganta. é quase morrer, esse viver tendo sustos, ímpetos de uma tristeza sem fim aliviada por pequenos suspiros de uma ansiedade nervosa, fugitiva.
não dói só a dor do impedimento, nem tampouco a dor do arrependimento. dói, lá no fundo, a velha dor conhecida de sempre, a dor de se estar profundamente só, de não se reconhecer em nenhum olhar, em nenhuma voz de ninguém, porque tudo o que existe de fato, fora o mundo todo lá fora, é esse mundo todo aqui dentro, do qual sou senhora e não sou, e que já conheço bem, mas no qual ainda me perco tanto.
a certeza de que somos todos bons trava luta constante com a certeza de que todos somos maus, e deixar que outra pessoa, por querer ou sem querer, possa me dar um chão pra depois toma-lo tão bruscamente e sem olhos-nos-olhos, me atira como um soco cósmico de volta ao início de uma caminhada que terei que fazer novamente, só que cada vez com um peso mais insustentável.
há aqueles que se preocupam visivelmente com minha coluna, mas sequer imaginam que o que ainda vai me matar é este coração, cujas batidas chego a escutar empurrando meu peito quando estou tentando dormir, principalmente quando não há ninguém comigo além de mim, sendo que tampouco haverá na manhã seguinte, e sendo que talvez nunca tenha havido, de fato.

inês.

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